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Boletim Eletrônico Março 2008 EDICÃO ESPECIAL – VACINAS CONTRA HPV |
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Quais tipos de vacinas contra o HPV estão disponíveis no Brasil? |
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Há duas vacinas registradas na ANVISA: Gardasil® (Merck Sharp & Dohme) e Cervarix® (GlaxoSmithKline). Gardasil® é uma vacina contra HPV tipos 6, 11, 16 e 18, e já está sendo comercializada no Brasil. Cervarix® é uma vacina contra o HPV tipos 16 e 18 e como seu registro foi liberado recentemente pela ANVISA (fev/2008), aguarda-se para breve sua comercialização. |
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Qual é a indicação e a faixa etária mais apropriada para receber a vacina contra o HPV? |
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Ambas as vacinas estão indicadas para prevenir as lesões pré-malignas do trato genital inferior, principalmente do câncer do colo do útero. Como as vacinas contra o HPV são profiláticas, a recomendação é que sejam aplicadas somente a meninas e mulheres de 9 a 26 anos de idade que ainda não começaram a ter atividade sexual, ou seja, que nunca entraram em contato com o HPV. A população-alvo mais apropriada para a vacinação contra o HPV depende da idade que a primeira exposição ao HPV ocorre. Levantamentos de prevalência mostram que 20-25% das adolescentes sexualmente ativas são DNA-HPV positivas. Após 2-3 anos, esta taxa de detecção cumulativa é de 59-82%. Portanto, a fim de assegurar que as pessoas que receberão a vacina tenham máxima proteção, deve-se direcionar a vacinação para adolescentes jovens (9-13 anos de idade).
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Existe algum benefício na vacinação de mulheres com infecção persistente pelo HPV? |
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Esta resposta foi obtida através de estudo publicado no Lancet, em agosto de 2007, por Hildesheim e colaboradores. Sabendo da premissa que a maioria das infecções pelo HPV, independente do tipo, cura-se espontaneamente geralmente dentro de 6 meses a 2 anos após sua infecção e que as mulheres sob risco de desenvolver lesões pré-cancerosa são aquelas com infecção persistente, estudou-se este subgrupo. Um total de 2189 mulheres com idade entre 18 e 25 e que eram positivas para DNA de HPV receberam aleatoriamente 3 doses de vacina contra HPV 16/18 ou vacina de hepatite A (grupo controle). As taxas de cura para infecções 16/18 no seguimento de 12 meses foram de 48.8% para a vacina do HPV e 49.8% no grupo controle (eficácia de -2,5% no grupo da vacina). Assim, não existe qualquer evidência de efeito terapêutico da vacina do HPV, ou seja, elas não devem ser utilizadas para tratar infecções persistentes por HPV.
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Qual o esquema de administração e onde as vacinas podem ser encontradas? |
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As duas vacinas são administradas por via intramuscular em 3 doses. Para Gardasil®, o esquema de administração é 0, 2 meses e 6 meses. Caso seja necessário um esquema alternativo, a segunda dose deve ser administrada no mínimo um mês após a primeira dose e a terceira dose, no mínimo três meses após a segunda dose. No caso da Cervarix®, o esquema é 0, 1 e 6 meses. Na necessidade de flexibilidade do esquema, a segunda dose deve ser administrada entre um mês e 2,5 meses após a primeira dose. As vacinas podem ser encontradas em centros de imunização e laboratórios diagnósticos que oferecem o serviço de vacinação.
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Qual a eficácia da vacina? Existe proteção contra outros tipos de HPV além dos contidos na vacina? |
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Ensaios clínicos independentes mostram que as duas vacinas profiláticas contra o HPV têm praticamente 100% de eficácia na prevenção da infecção por HPV 16 e 18, que causam cerca de 70% dos casos conhecidos de câncer do colo do útero. Ambas as vacinas exibem proteção cruzada parcial contra outros tipos filogeneticamente relacionados ao HPV 16 e 18, que são os tipos 31/45. Isto será de particular importância para o HPV 45, já que este é o terceiro tipo mais prevalente associado com o carcinoma escamoso e o adenocarcinoma do colo mundialmente. É importante ressaltar que estas mulheres devem continuar a realizar rastreamento cervical, pois foram detectados casos de NIC, induzidos por outros tipos de HPV oncogênicos não presentes na vacina, nas mulheres que receberam vacina contra HPV 16/18.
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Por quanto tempo a vacina contra HPV oferece proteção? |
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A duração da resposta imune gerada pelas vacinas contra HPV é desconhecida. Os dados disponíveis dos ensaios clínicos mostram que a proteção contra a infecção é mantida por pelo menos cinco anos. Ambas as vacinas resultam em níveis de anticorpos neutralizantes que são consideravelmente maiores que aqueles encontrados após a infecção natural. Durante as próximas décadas, será importante monitorar os níveis de anticorpos e as infecções por HPV em sujeitos imunizados para determinar a necessidade de dose adicional de reforço e, caso esta seja necessário, quantos anos após a vacinação deverá ser realizado.
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