ABG - Associação Brasileira de Genitoscopia

Boletins Informativos

Associação Brasileira de Genitoscopia
Boletim Eletrônico
Abril 2008 - 4ª edição
Qual é o risco de câncer cervical invasivo em mulheres tratadas por neoplasia intra-epitelial cervical grau 3?
Após revisão de prontuários de 1063 mulheres com neoplasia intra-epitelial cervical grau 3 (NIC 3) diagnosticados entre 1955 e 1976, Dr McCredie e colegas encontraram que mulheres com NIC 3 não-tratada são de alto risco para câncer cervical, enquanto o risco é muito baixo nas mulheres tratadas convencionalmente. A incidência cumulativa de câncer invasivo do colo ou fundo de saco vaginal foi de 31,3% em 30 anos em 143 mulheres que realizaram apenas biópsia, e de 50,3% no subgrupo de 92 mulheres que tiveram doença persistente dentro de 24 meses. No entanto, o risco de câncer em 30 anos foi somente de 0,7% em 593 mulheres cujo tratamento inicial foi realizado de forma adequada.
 
Fonte: McCredie MR, Sharples KJ, Paul C, et al. Natural history of cervical neoplasia and risk of invasive cancer in women with cervical intraepithelial neoplasia 3: a retrospective cohort study. Lancet Oncol 2008; Apr 11
Mulheres após tratamento cirúrgico de lesão cervical de alto grau devem realizar tese de HPV?
Segundo pesquisadores franceses, o teste de HPV pode ajudar no seguimento de mulheres tratadas por lesão de alto grau, já que o risco de recorrência de lesão cervical e extracervical nestes casos é de cinco vezes. A adição do teste de HPV ao monitoramento citológico três a seis meses após a conização torna possível distinguir o grupo de pacientes com maior risco (com pelo menos um teste positivo). Neste caso, o acompanhamento deve ser prolongado e estendido para além da cérvice.
 
Fonte: Mergui JL, Levêque J. What kind of follow-up after surgical treatment for high-grade cervix lesion. Gynecol Obstet Fertil 2008 Apr 11
O dispositivo intra-uterino (DIU) pode ser reservatório para “Candida albicans”?
Pesquisa mostra que todas as partes do DIU (coberta com fio de cobre, sem fio de cobre e haste) permitem a aderência de fungos. Candida albicans vaginais isoladas mostraram capacidade elevada de produzir biofilme no DIU nas diferentes partes do mesmo sem diferenças significativas nas taxas de adesão aos distintos locais. Esta elevada aderência da Candida albicans e a formação do biofilme parecem ser atributos importantes que influencia a ocorrência ou a recorrência de candidíase vulvovaginal.
 
Fonte: Chassot F, Negri MF, Svidzinsku AE, et al. Can intrauterine contraceptive devices be a Candida albicans reservoir? Contraception 2008;77:355-9.
Houve mudanças na localização e idade de início do câncer de vulva?
Dr Hampl e colegas analisaram os prontuários de 224 mulheres tratadas por câncer de vulva invasivo durante período de 28 anos (janeiro de 1980 a junho de 2007). Entre os resultados encontrados estão que o número de pacientes dobrou nas últimas três décadas com aumento de quase quatro vezes em mulheres mais jovens devido à infecção por HPV de alto risco. Além disso, a localização do tumor mudou significativamente dos grandes lábios para a área entre clitóris e uretra e a média etária de acometimento alterou significativamente com o tempo, de 65,6 anos nos primeiros nove anos do levantamento para 57,0 anos nos últimos nove anos.
 
Fonte: Hampl M, Deckers-Figiel S, Hampl JA, et al. New aspects of vulvar cancer: Changes in localization and age of onset. Gynecol Oncol 2008; Apr 11
O tipo de HPV prevê o resultado do tratamento de condilomatose vulvar com imiquimode?
Os resultados de estudo confirmam que imiquimode creme a 5% é eficaz no tratamento de condilomas vulvares positivos para HPV 6 e 11 (o tipo de HPV foi determinado através da técnica de PCR – reação em cadeia da polimerase – em espécimes de biópsia). Do total de 132 mulheres que aplicaram o creme três vezes por semana durante 16 semanas, 80 (60,6%) apresentaram remissão total das lesões, 20 (15,2%) tiveram resposta parcial e 12 (9,1%) não apresentaram resposta. As taxas de resposta completa foram 76,2% para HPV 6, 66,7% para HPV 11, 35% para HPV 6 mais 11, e 6,3% para outros tipos de HPV (exceto 6 e 11). Nas mulheres que houve falha do tratamento, 43,7% tinham outros tipos de HPV.

Fonte: Dede M, Kubar A, Yenen MC, et al. Human papillomavirus-type predict the clinical outcome of imiquimod therapy for women with vulvar condylomata acuminata. Acta Obstetricia et Gynecologica. 2007; 86:968-972.
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